Naquela época, a cidade alta era completamente ignorada pelo governo e vivíamos um “país novo” que nunca chegou.
Éramos apenas meninos, em 1937. Meninos abandonados pelos pais e pela vida. Completamente ignorados pela justiça, a não ser quando roubávamos alguém importante, trazíamos nas costas a pobreza, a vida insalubre, uma vaga revolta contra o mundo hostil, a liberdade que encontrávamos nas ruas, a lealdade grupal e uma certa maturidade prematura, que cede lugar a rasgos de deslumbramento infantil e/ou à falta de uma mãe.
A imprensa era a porta-voz dos nossos problemas, mas o espaço era sempre maior e mais destacado quando se tratava de nos acusar.